Para além da Academia

October 9, 2007

3. Para quem não sabe…

Filed under: doxa - cristianomuniz @ 3:53 pm

… Fabico é a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS, onde eu estudo Jornalismo há quase oito semestres. Pretendo me formar no final do ano que vem, se eu conseguir suportar o enorme fardo de cadeiras maçantes que ainda falta para eu “integralizar o currículo”, como diriam os nobres representantes da classe dos burocratas acadêmicos, os quais relacionam-se diretamente com o fenômeno discutido em outro post. Ou seja, para eu conseguir concluir o curso e finalmente alçar vôos um pouco mais ousados, eu preciso, antes, ter uma boa dose de aulas que não têm nada a acrescentar. A maioria dos colegas com quem converso tem essa mesma impressão, de que poucas aulas na Fabico são, de fato, interessantes.

E a Luiza, quando estava estudando Psicologia na PUCRS – ela infelizmente teve que trancar o curso por causa das gravações do seriado no qual ela atua –, constantemente reclamava das suas aulas, que quase todas eram chatas, que os professores de modo geral não tinham didática para ensinar… Enfim, uma série de queixumes relativos ao modo como seus professores lhe davam aula. Outras pessoas com quem conversei, de outros cursos, também destacaram isso; fica a impressão de que os professores não se interessam em compreender o que se passa pela cabeça de seus alunos, e por isso não se importam com o tipo de aula que dão.

6 Comments »

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  1. Não passa pela cabeça que eles não queiram ter aula?

    Descontado o claro fato de que professores bons estão em extinção ou, pelo menos, em perpétuo estado de raridade, alunos interessados em terem alguma coisa mais que liberação para serem profissionais são raros. Para a grande maioria acredito que interessa muito mais o diploma do que o aprendizado e, nesse sistema, não há tanto o que impeça as pessoas de perderem o estímulo.
    Pessoas = alunos e professores.

    Acho muito fácil xingar os professores, pura e simplesmente, sem enxergar todo o resto. Para que um professor possa ser bom, ele tem que ter a chance de participar de um sistema que funcione.
    Ou jogar tudo pro alto e ficar falando dos outros, como o Rüdiger gosta de fazer. Isso não quer dizer que ele não esteja falando coisas que de fato aconteçam, mas ele perde por não participar do contexto.
    Como sempre, é muito fácil apontar o dedo quando se está de fora.

    Comment by Tales — October 9, 2007 @ 4:22 pm

  2. mas o que é mais fácil mudar? algumas dúzias de professores ou centenas [milhares] de alunos?

    a questão é muito mais ampla do que isso, evidentemente. se os professores não têm interesse em dar aula, imagina os alunos… na real, esse post continua, nos próximos dias devo publicar a seqüência dele.

    abraço.

    Comment by cristianomuniz — October 9, 2007 @ 4:34 pm

  3. ah, outra coisa que eu lembrei agora: os alunos, por mais desinteressados que sejam, quando entram na faculdade, estão entrando também numa espécie de sistema que já é dado, entende? coisas como o famigerado ‘pacto de mediocridade’ fabicano já estão aí desde antes de a gente começar a estudar aqui.

    ou vai me dizer que até certo ponto da faculdade tu também não pensava que o melhor a fazer era se esforçar pra ir bem nas cadeiras, e essas bobagens todas que alguns colegas – a despeito de já estarem na faculdade há vários semestres – continuam valorizando sobremaneira?!?!?!?

    vou desenvolver esse ponto nalgum post, certamente…

    Comment by cristianomuniz — October 9, 2007 @ 4:40 pm

  4. daí entra o meu elemento anti-contraproducente (adorei esta palavra, pareço criança retardada com brinquedo novo): eu serei professora e tentarei fazer alguma diferença.
    e tu?

    e o wagner moura?

    e, afinal, quem escreveu este post, pelo amor de deus?

    Comment by Juliana Szabluk — October 9, 2007 @ 9:24 pm

  5. O Pacto existe, de fato. Concordo que é mais fácil mudar essa mentalidade partindo dos professores, mas é extremamente importante lembrar que muitos alunos não fazem questão de se esforçar também nas aulas que os professores são sérios. Reclamam, “bah, que saco, esse cara dá aula!”. Aí é brabo.

    Abraço.

    Comment by Vicente Fonseca — October 13, 2007 @ 10:42 am

  6. A maioria dos professores está lá por que não conseguiu fazer outra coisa que lhe desse uma renda legal. Os que conseguiram vêem a faculdade como uma atividade extra, e raríssimos são os que estão lá por que gostam. Além disso, o currículo é de curso técnico, não tem como interessar pessoas de um nível intelectual razoável.

    Comment by Prestes — October 14, 2007 @ 5:05 pm

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