4. Por outro lado, me parece…
… também que os professores subestimam muito seus alunos; normalmente somos tratados como ignorantes, como pessoas sem o mínimo de capacidade crítica e interesse pelos estudos; quer dizer, existe um tipo de aluno que é valorizado, que é aquele que segue fielmente as orientações do mestre, que chega sempre pontualmente e entrega todos os trabalhinhos nas datas corretas, mas sem qualquer tipo de esforço reflexivo: seu interesse, parece-me, é apenas “ir bem na faculdade” ou “não ficar com o ordenamento ruim”. Nada contra quem pensa que o ordenamento é importante, ou quem gosta de ir bem para ter um bom ordenamento e conseguir boas cadeiras eletivas. Um esclarecimento para quem não é da Fabico: ordenamento é uma espécie de índice usado para definir as ordens de matrícula na UFRGS; é bem simples: quem tem as melhores notas, tem prioridade para fazer escolher as cadeiras que quer fazer. Assim, muita gente se preocupa com o ordenamento para poder ter a chance de poder montar o horário e pegar boas cadeiras eletivas (as quais, normalmente, têm vagas limitadas). Cadeiras eletivas são aquelas que tu “escolhe” fazer; na real, tu é obrigado a fazer um número xis de eletivas, em todos os cursos da UFRGS; a diferença é que tu teoricamente “escolhe” o que cadeiras fazer, só que, como a oferta de eletivas é um pouco restrita, tu acaba não tendo muita escolha: por isso, tu acaba tendo aula com mestrandas da Psicologia, por exemplo. Professores titulares, de saco cheio de dar aula para a gentalha da graduação, mandam seus bolsistas de mestrado dar aula nas disciplinas que eles, professores, são obrigados – por contrato – a ministrar. Ou seja: uma tremenda sacanagem.
