Para além da Academia

October 11, 2007

5. Mas, deixando um pouco…

Filed under: doxa - cristianomuniz @ 3:32 pm

… de lado a questão do ordenamento, hoje, na aula de Redação Jornalística III (com a profª. Clarice), perguntei à professora se a capacidade crítica era um elemento valorizado numa redação; a professora respondeu que, às vezes, dá-se mais valor a um sujeito que faça rapidamente as tarefas que lhe ordenam do que a um cara que pense a respeito daquilo que faz, que questione de algum modo as coisas que estão acontecendo em seu cotidiano; enfim, dito de outro modo, mais vale – numa grande empresa como a RBS, por exemplo – ser certinho, fazer tudo direitinho, etc. etc., do que se posicionar a respeito dos fatos e ter atitude crítica em relação a eles.

E isso, naturalmente, faz parte de um discurso, ou melhor, de uma maneira de pensar que segue, a meu ver, certos padrões pré-estabelecidos de conduta. Minha mãe me fala, desde os tempos de primário, que eu não devo me atrasar para os compromissos, que se eu me atrasar pro trabalho serei demitido, que eu tenho que ir bem na escola, que tirar notas boas é minha obrigação como estudante, que fumar faz mal pra saúde, que eu morrer mais cedo em função disso etc. etc. etc.; ou seja, parece-me que existe um discurso sobre o modo pelo qual uma pessoa dá certo e se torna vencedora na vida.

October 10, 2007

4. Por outro lado, me parece…

Filed under: doxa - cristianomuniz @ 3:29 pm

… também que os professores subestimam muito seus alunos; normalmente somos tratados como ignorantes, como pessoas sem o mínimo de capacidade crítica e interesse pelos estudos; quer dizer, existe um tipo de aluno que é valorizado, que é aquele que segue fielmente as orientações do mestre, que chega sempre pontualmente e entrega todos os trabalhinhos nas datas corretas, mas sem qualquer tipo de esforço reflexivo: seu interesse, parece-me, é apenas “ir bem na faculdade” ou “não ficar com o ordenamento ruim”. Nada contra quem pensa que o ordenamento é importante, ou quem gosta de ir bem para ter um bom ordenamento e conseguir boas cadeiras eletivas. Um esclarecimento para quem não é da Fabico: ordenamento é uma espécie de índice usado para definir as ordens de matrícula na UFRGS; é bem simples: quem tem as melhores notas, tem prioridade para fazer escolher as cadeiras que quer fazer. Assim, muita gente se preocupa com o ordenamento para poder ter a chance de poder montar o horário e pegar boas cadeiras eletivas (as quais, normalmente, têm vagas limitadas). Cadeiras eletivas são aquelas que tu “escolhe” fazer; na real, tu é obrigado a fazer um número xis de eletivas, em todos os cursos da UFRGS; a diferença é que tu teoricamente “escolhe” o que cadeiras fazer, só que, como a oferta de eletivas é um pouco restrita, tu acaba não tendo muita escolha: por isso, tu acaba tendo aula com mestrandas da Psicologia, por exemplo. Professores titulares, de saco cheio de dar aula para a gentalha da graduação, mandam seus bolsistas de mestrado dar aula nas disciplinas que eles, professores, são obrigados – por contrato – a ministrar. Ou seja: uma tremenda sacanagem.

October 9, 2007

3. Para quem não sabe…

Filed under: doxa - cristianomuniz @ 3:53 pm

… Fabico é a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS, onde eu estudo Jornalismo há quase oito semestres. Pretendo me formar no final do ano que vem, se eu conseguir suportar o enorme fardo de cadeiras maçantes que ainda falta para eu “integralizar o currículo”, como diriam os nobres representantes da classe dos burocratas acadêmicos, os quais relacionam-se diretamente com o fenômeno discutido em outro post. Ou seja, para eu conseguir concluir o curso e finalmente alçar vôos um pouco mais ousados, eu preciso, antes, ter uma boa dose de aulas que não têm nada a acrescentar. A maioria dos colegas com quem converso tem essa mesma impressão, de que poucas aulas na Fabico são, de fato, interessantes.

E a Luiza, quando estava estudando Psicologia na PUCRS – ela infelizmente teve que trancar o curso por causa das gravações do seriado no qual ela atua –, constantemente reclamava das suas aulas, que quase todas eram chatas, que os professores de modo geral não tinham didática para ensinar… Enfim, uma série de queixumes relativos ao modo como seus professores lhe davam aula. Outras pessoas com quem conversei, de outros cursos, também destacaram isso; fica a impressão de que os professores não se interessam em compreender o que se passa pela cabeça de seus alunos, e por isso não se importam com o tipo de aula que dão.

October 5, 2007

2. Pela manhã, na aula…

Filed under: doxa - cristianomuniz @ 4:15 pm

… de Cibercultura do prof. Rüdiger (aula que eu não assistia há muitas semanas), comentando sobre a situação do ensino superior no Brasil, eu disse:

– Tem umas teses de doutorado que tu vê que foram feitas por professores que, quando fizeram concurso [para professor na UFRGS], eram mestres e aí resolveram fazer um doutorado só pra conseguir um aumento no salário. E daí fazem qualquer bobagem lá só pra ganhar o título [de doutor]…

O professor riu bastante e comentou logo em seguida:

– Agora que tu falaste eu estou enxergando na minha frente vários colegas…

Sim, esse tipo de coisa realmente acontece na Academia, com uma freqüência maior do que se imagina.

1. Hoje, pensando sobre a minha insatisfação…

Filed under: doxa - cristianomuniz @ 3:57 pm

… com o campo de estudos da Comunicação, tive um insight sobre as razões pelas quais eu e a Luiza resolvemos nos mudar e morar juntos. Para ela, acho que se trata muito mais de uma questão de liberdade, de se libertar do controle materno; para mim, no entanto, parece ser mais uma questão de conquistar alguma espécie de autonomia, ou de finalmente caminhar pelas próprias pernas; noutros termos, trata-se muito mais de assumir responsabilidades e arcar com as conseqüências disto do que libertar-se de algo. Acho que sempre tive um “pensamento livre”, ou algo que o valha; há tempos tenho essa impressão de que a minha forma de pensar não se encaixa nos moldes pré-estabelecidos pelo senso comum; muitas outras pessoas, assim como eu, também têm essa capacidade, aptidão, ou quem sabe talento, ou até mesmo sensibilidade, de enxergar além daquilo que a maioria vê; de ter, enfim, a pretensão de querer fazer algo de fato novo ou original: algo que se destaque em relação à mesmice que impera em diversos setores da atividade humana; entre eles, lógico, está a Academia – ou Universidade, como queiram – que, conforme diversos autores salientam, se vê entregue a uma tal burocratização, o que é, certamente, uma das razões para termos péssimos professores na Fabico.

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